A escola disse que seu filho precisa de terapia. Sua mãe e sua irmã já tinham dito, mas você não concordou. Mas agora a escola está insistindo que seu filho precisa de terapia. Ele chora pra ir pra escola. Ele está batendo nos colegas. Ele desrespeita a professora. Você não sabe o que fazer. Não tem mais a quem recorrer. Só resta levar seu filho na psicóloga. Ela será sua salvadora e você só precisa deixar ele lá, certo?

Errado.

 

Um dos primeiros e principais pontos acordados no contrato de terapia com os pais é a necessidade de comprometimento com o processo por parte de toda a família. O trabalho em terapia infantil vai muito além do atendimento individual feito com a criança no consultório. Não basta simplesmente ter a criança dentro da sala, é preciso que ela vá toda semana, que não se atrase, que o tratamento não seja interrompido – tudo isso para ter uma linearidade que faz o objetivo terapêutico ficar cada vez mais próximo. E é importante que a criança venha alimentada, descansada e bem-disposta, afinal ninguém gosta de trabalhar cansado e nem sempre ela vai saber dizer com palavras que o que está sentindo é cansaço.

Mas, acredite, por mais que tudo isso ajude, ainda não é tudo. Como assim, Luísa, vai querer que o pai entre na sala e faça seu trabalho? Não, gente. Não é para tanto – embora muitas vezes os pais tenham que entrar na sala. O que quero falar é da necessidade de os pais estarem envolvidos emocionalmente com as mudanças propostas e o objetivo que estão buscando. Infelizmente não basta deixar a criança lá, é preciso que os pais participem ativamente, auxiliando e incentivando a criança na sua melhora.

A família é como um sistema interdependente e todos os membros influenciam as vidas dos outros de alguma forma. A tendência do sistema é encontrar uma forma de fazer as coisas estarem sempre estáveis, é por isso que muitas vezes as famílias resistem às mudanças trazidas pela terapia. É mais fácil e prático para o sistema familiar manter as coisas como estão, pois é algo com o qual já encontraram sua forma de lidar. Quando a criança entra em terapia todo o sistema é afetado pelas mudanças no seu comportamento e precisa se reajustar.

Vem daí a importância de que os pais reconheçam suas dificuldades e quais são os seus papéis na manutenção daqueles comportamentos que os levaram para a terapia. Não é uma tarefa fácil, mas o psicólogo também está ali para isso e se for preciso encaminhará os pais para uma terapia própria e que atenda às suas demandas. A questão aqui é que para fazer o processo de terapia infantil se desenvolver, é importante que os pais estejam dispostos a
mudar junto com a criança. Como pais é importante que se reconheçam como modelos e exemplos para os seus filhos, tendo consciência de que seus comportamentos serão muitas vezes imitados.

Ter os pais por perto e envolvidos com o processo de terapia é uma ferramenta fundamental para a extensão do processo do consultório para a vida. Através dos pais as crianças podem ter seus aprendizados reforçados no dia-a-dia, tornando rotineiros os hábitos que estão sendo inseridos e facilitando as mudanças. Quando a toda a família está envolvida os objetivos são atingidos mais rapidamente e todo o sistema fica mais saudável.

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